"Sinal" Nº 49 - Dezembro de 2002

 
   
Principais Destaques  
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Entrevista ao Presidente da Câmara Eng. Duarte Silva

S-Cerca de um ano volvido sobre o início do mandato, qual o balanço que faz destes meses?

DS-Ainda não estamos a um ano, mas este início tem algumas características que penso que devem ser referidas antes de eu fazer um balanço. Em primeiro lugar, quando nós tomámos posse o governo estava demissionário e, o processo de demissão do governo, novas eleições, posse do actual governo, tudo isto ocupou um semestre. Ora bem, muitas coisas que estavam dentro dos nossos objectivos imediatos prendiam-se com a administração central e, portanto, com o governo em funções plenas. Estou a referir-me aos grandes desígnios do melhoramento das acessibilidades, quer terrestres (auto-estradas, vias rápidas) quer marítimas, (melhoramento da entrada da barra, projecto do alargamento da ponte dos Arcos). Até agora pouco se avançou nesses projectos, embora já saibamos que está para breve a adjudicação de umas dessas vias, a auto-estrada do Oeste. Foi concluída a ligação a Coimbra. Sobre a questão portuária, foi feita uma reestruturação destas administrações, que englobam o nosso porto e como, neste momento, ainda não foi nomeada a nova administração, nada se fez nesse capítulo. Também o desbloqueamento do campo de Golf está ainda a sofrer do atraso que eu referi. Neste período, apresentámos um orçamento (pela primeira vez coube ao novo executivo fazer o orçamento, que nos mandatos anteriores era feito pelo executivo anterior), com isso também tivemos que fazer uma rectificação de todo o programa financeiro. Essa é uma das coisas que eu considero que foi positiva,o delinear de um plano de actividades que estamos a cumprir. Não houve abrandamento do investimento e manteve-se também um plano de animação (feiras de Junho, feiras das freguesias, todo o plano de Verão), de acordo, julgo eu, com as expectativas que os figueirenses tinham. Tivemos um mês de Agosto que, em termos de animação, foi bastante bom.

Com estes atrasos a que somos alheios, como é óbvio, penso que estamos a cumprir aquilo que nos propusemos fazer e esperamos que, até ao fim do mandato, as coisas corram de acordo com aquilo que projectámos.

S-Quais são os projectos que considera prioritários para o desenvolvimento da Figueira?

DS-É previsível que em 2005 estejam feitas ou melhoradas as ligações terrestres, por forma a ficarmos mais perto de Leiria/Pombal, Aveiro. O melhoramento da IP3 permitirá também uma proximidade de Viseu. E tudo isto porquê? Porque nós temos uma vantagem competitiva que advém de uma melhor utilização do porto-mar.que nos aproxima de grandes áreas dinâmicas, industriais, como Pombal e Leiria. Portanto, o que é agora essencial? É que seja melhorado o acesso marítimo, isto é, que as obras que estão projectadas para os molhes, designadamente para o molhe Norte, sejam efectuadas, para que possamos ter mais segurança e menos dias fechados por mau tempo da barra.

S-E na área do desporto?

DS-Na área do atletismo temos um projecto em Buarcos, que é conhecido. Infelizmente, por todos estes condicionalismos, teve um atraso.O que nós queremos fazer é um polo para futebol e atletismo. Temos também o projecto para uma pista de atletismo.

S-O Centro de Artes e Espectáculos veio revolucionar a vida cultural da cidade. Quem é o responsável pela organização da Agenda Cultural? Qual o balanço que faz? Os objectivos foram atingidos?
DS-O responsável pela agenda é o próprio Centro de Artes que, pela sua dimensão, pela sua importância, pela necessidade de ter uma dinâmica própria, que nem sempre é fácil atingir quando está inserido numa estrutura autárquica, foi destacado do Departamento da Cultura. Nós fizemos também uma reorganização dos serviços da Câmara, que foi aprovada no princípio de Setembro e que era uma das coisas que deveria ter sido referida na vossa primeira pergunta. A responsabilidade depende directamente do Gabinete do Presidente e tem uma gestão própria. São eles os responsáveis, sob a minha orientação, enfim, pelos espectáculos, congressos e toda a animação.
No tocante aos espectáculos, a opinião é que correram bem. Tivemos espectáculos no Verão que tiveram muito público. Quanto a congressos, para além de um que foi organizado pela própria Câmara. tivemos a primeira grande realização dia 12 e 13 de Outubro na área da Oftalmologia que reuniu perto de 200 especialistas de todo o mundo. A única coisa que sabemos à partida é que, neste momento, o parque hoteleiro da Figueira não pode ainda corresponder às novas exigências. Para podermos dinamizar congressos com mais facilidade, tem que haver uma renovação em quantidade e em qualidade do parque hoteleiro.
Até agora, acredito que os objectivos foram atingidos.

S-Quais os obstáculos com que se tem deparado a Câmara Municipal para concretizar os projectos?

DS-Tirando os obstáculos que referi, tem aqueles que advêm das dificuldades naturais do funcionamento da administração pública e alguns constrangimentos financeiros.

S-Para quando a finalização da obra da Esplanada Silva Guimarães?

DS-Ora bem, aí houve uns atrasos que foram devidos à necessidade de rectificar projectos anteriores, de haver problemas relacionados com a aprovação por parte do Tribunal de Contas. Neste momento, estamos no ponto de contratualizar as duas obras, a dos espaços comerciais e a da arquitectura da esplanada, porque a parte estrutural está feita.Por isso, a projecção é que, a partir da próxima Primavera esteja tudo pronto.

S-Como é que os jovens podem intervir na acção autárquica?

DS-Podem intervir da mesma maneira que vocês, participando, interrogando a Câmara, disponibilizando-se na medida dos seus interesses, dando sugestões e também participando nas soluções ou nos projectos que saem delas.

S-De que forma poderá a escola colaborar com a acção da autarquia?

DS-Como já tem vindo a fazer em termos desportivos, culturais, através da realização de alguns eventos como o teatro, a dança e coisas desse género. Também através da realização de alguns colóquios , exposições que mostrem o que estão a fazer, lembrando que na Figueira há boas escolas, há um bom corpo docente e há um bom corpo discente.

S-Que imagem tem das actividade desenvolvidas pelas escolas do concelho?

DS-A imagem é boa. Classificam-se, como é vosso caso, em décimo primeiro no Ranking de 600 escolas e isso é bom porque não só cria uma boa auto-estima para todos nós, mas também torna a Figueira mais competitiva. Ao ver isso, a Figueira torna-se mais atractiva para as pessoas que se queiram cá instalar, os casais jovens, porque sabem que têm boas escolas para os seus filhos.

S-Como figueirense, de que é que gosta mais e de que é que gosta menos?

DS-Tenho alguma dificuldade em especificar, gosto muito da zona ribeirinha, gosto da Figueira em geral, é uma cidade aberta. Apesar de tudo, existem muitos espaços verdes e com alguma ordenação. Não gosto do crescimento de determinadas urbanizações, que eu acho que deviam ter melhor qualidade, e do atraso que se nota muitas vezes nos acabamentos.

S-Há alguma obra que lhe seja particularmente querida?

DS-Neste momento, aquela que realço mais e a que tenho dedicado mais tempo e que mais me orgulha é o Centro de Artes e Espectáculos.

S-Como descreve um dia ideal na Figueira?

DS-O dia ideal na Figueira para mim é aquele que eu faço com frequência. É aproveitar para dar uma grande volta de bicicleta, tomar banho na praia, um bom almoço e descansar.(risos)

S-Que mensagem gostaria de deixar aos leitores do Sinal?

DS-Em primeiro lugar, a congratulação pelos bons resultados que conseguiram na escola. Não é só de agora, já vem de trás. Que continuem dentro desse espírito e, se possível, a melhorar. É sempre bom melhorar, para que possamos ter uma Figueira melhor, com melhor qualidade de vida, com mais contrapartidas económicas , bem-estar social para quem cá está e também para quem a visita. Para isso uma juventude activa e empenhada na sua cidade é essencial.
Obrigado e felicidades.